domingo, 19 de junho de 2011

Carrossel

Girando no dorso em cavalgadas flutuantes
Fui envolvida pelo ritmo da bebida quente escorrendo na garganta.
Tive vontade de dançar...

Meus seios se animaram, se empinaram.
Logo meu quadril se remexia.
Meus pés se inquietaram.

A caminhada dançante me transportou até uma luz.
Quando vi já deslizava em Minuit à Paris.
Quente não perdia para qualquer verão.

Aqueci, saltei das bolhas que logo estouram.
Rompi, deixei o antiquário.
Sob a chuva me encharquei, aqueci.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

 Buraco quente.

Algumas vezes ouvi dizer: "Mas que buraco quente essa gente arruma pra viver..." E me perguntava se aquelas pessoas ali deitadas nas calçadas cobertas por jornais ou algum pano rasgado moram mesmo num buraco sem que suas misérias possam aparecer, ou até mesmo o gemido do seu prazer possa ser ouvido ou o cheiro dos seus dejetos possa ser sentido. E o calor acolhedor de uma cama, uma manta, um cobertor... Aparece aí nesse cenário?
É buraco quente querido por tantos e menosprezado por outros tantos. O único buraco quente que resta a esta gente do primeiro cenário está bem debaixo da terra, isso se chegarem a tal ou então ficam ali expostos na famosa Galeria Superfície Fria.