Enquanto
Enquanto eu puder deslizar sobre o papel,
Me lambuzar e abusar do sabor do mel...
Das palavras tirar o véu
E quem sabe...
Enquanto for agora e querendo depois,
Mais e mais, sempre...
Infinito não tem tempo certo, escorre.
Enquanto puder perdoar, me despedir
Reconciliar, perder, achar.
Pedir, declarar...
Enquanto puder falhar,
E continuar caminhando...
E quando acordar tomar um ca-fé.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
domingo, 19 de junho de 2011
Carrossel
Girando no dorso em cavalgadas flutuantes
Fui envolvida pelo ritmo da bebida quente escorrendo na garganta.
Tive vontade de dançar...
Meus seios se animaram, se empinaram.
Logo meu quadril se remexia.
Meus pés se inquietaram.
A caminhada dançante me transportou até uma luz.
Quando vi já deslizava em Minuit à Paris.
Quente não perdia para qualquer verão.
Aqueci, saltei das bolhas que logo estouram.
Rompi, deixei o antiquário.
Sob a chuva me encharquei, aqueci.
Girando no dorso em cavalgadas flutuantes
Fui envolvida pelo ritmo da bebida quente escorrendo na garganta.
Tive vontade de dançar...
Meus seios se animaram, se empinaram.
Logo meu quadril se remexia.
Meus pés se inquietaram.
A caminhada dançante me transportou até uma luz.
Quando vi já deslizava em Minuit à Paris.
Quente não perdia para qualquer verão.
Aqueci, saltei das bolhas que logo estouram.
Rompi, deixei o antiquário.
Sob a chuva me encharquei, aqueci.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Buraco quente.
Algumas vezes ouvi dizer: "Mas que buraco quente essa gente arruma pra viver..." E me perguntava se aquelas pessoas ali deitadas nas calçadas cobertas por jornais ou algum pano rasgado moram mesmo num buraco sem que suas misérias possam aparecer, ou até mesmo o gemido do seu prazer possa ser ouvido ou o cheiro dos seus dejetos possa ser sentido. E o calor acolhedor de uma cama, uma manta, um cobertor... Aparece aí nesse cenário?
É buraco quente querido por tantos e menosprezado por outros tantos. O único buraco quente que resta a esta gente do primeiro cenário está bem debaixo da terra, isso se chegarem a tal ou então ficam ali expostos na famosa Galeria Superfície Fria.
Algumas vezes ouvi dizer: "Mas que buraco quente essa gente arruma pra viver..." E me perguntava se aquelas pessoas ali deitadas nas calçadas cobertas por jornais ou algum pano rasgado moram mesmo num buraco sem que suas misérias possam aparecer, ou até mesmo o gemido do seu prazer possa ser ouvido ou o cheiro dos seus dejetos possa ser sentido. E o calor acolhedor de uma cama, uma manta, um cobertor... Aparece aí nesse cenário?
É buraco quente querido por tantos e menosprezado por outros tantos. O único buraco quente que resta a esta gente do primeiro cenário está bem debaixo da terra, isso se chegarem a tal ou então ficam ali expostos na famosa Galeria Superfície Fria.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Redentor
Ali aos pés do Cristo,
abraçando com braços abertos
a avassaladora cidade maravilhosa,
aquietei e inquietei.
Fui acompanhada pela paz,
guia incansável do meu passeio.
Mas ao mesmo tempo,
Aquela vista, aquele Belo Horizonte carioca...
Será que é a mais bela das vistas?
Parecia estar no topo do mundo.
Só que quiz ir além.
Lá adiante, daqui vejo, desejo.
É além do Rio de Janeiro, fevereiro,
março, abril, maio,..., dezembro.
E olha que é rio, mas tem montanha por todo canto.
Ah eu ainda quero tanto.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Promessas
Promessas sem partido, votação ou discursos.
Política apenas pra papear, papo aqui e acolá.
Promessa mesmo é exuberância desnuda, revitalizante, caprichos da natureza.
Povos andinos que me aguardem!
Chegarei prometida ao amor de alguma esquina, aos vinhos e vinagres do meu descompasso.
Alguma oficina pro meu artesanato.
Promessa de fanfarra, de gangorra, de fachada...
Aí vem coisa boa!
Promessas sem partido, votação ou discursos.
Política apenas pra papear, papo aqui e acolá.
Promessa mesmo é exuberância desnuda, revitalizante, caprichos da natureza.
Povos andinos que me aguardem!
Chegarei prometida ao amor de alguma esquina, aos vinhos e vinagres do meu descompasso.
Alguma oficina pro meu artesanato.
Promessa de fanfarra, de gangorra, de fachada...
Aí vem coisa boa!
sábado, 2 de abril de 2011
Vazio
Às vezes é de paz,
me coloca no colo e me embala.
Outras tantas de agonia,
chega a arder.
A primeira opção é nova e velha,
já que tantas vezes me ocorreu.
Mas percebo que é inédita
a cada vez.
Talvez não fale de nada.
Só que há uma órbita ao seu redor.
Na agonia como dói,
como uma ferida aberta.
Vazio, vácuo, vago...
Tentativas do dicionário.
Apenas ficam na borda,
a bordar algum preenchimento.
Às vezes é de paz,
me coloca no colo e me embala.
Outras tantas de agonia,
chega a arder.
A primeira opção é nova e velha,
já que tantas vezes me ocorreu.
Mas percebo que é inédita
a cada vez.
Talvez não fale de nada.
Só que há uma órbita ao seu redor.
Na agonia como dói,
como uma ferida aberta.
Vazio, vácuo, vago...
Tentativas do dicionário.
Apenas ficam na borda,
a bordar algum preenchimento.
sábado, 19 de março de 2011
Pinça
De um ponto ao outro me desloco.
Daquele que fala de tudo
como se pudesse sabe-lo
passo da mestria à pinça.
Precisa essa pinça
que não cessa de devolver os excessos,
que fazem deslizar algumas cadeias.
E de que falam?
Falam,
algumas verdades versadas
que a cada um compete compreende-las,
não-todas e de um ponto a outro deslocar-se.
Ainda que em milimétricos espaços
deslocam-se.
Alguma coisa cede
na luta da verdade com a dúvida.
De um ponto ao outro me desloco.
Daquele que fala de tudo
como se pudesse sabe-lo
passo da mestria à pinça.
Precisa essa pinça
que não cessa de devolver os excessos,
que fazem deslizar algumas cadeias.
E de que falam?
Falam,
algumas verdades versadas
que a cada um compete compreende-las,
não-todas e de um ponto a outro deslocar-se.
Ainda que em milimétricos espaços
deslocam-se.
Alguma coisa cede
na luta da verdade com a dúvida.
domingo, 13 de março de 2011
Japão
Ondas de lágrima me habitam, tremem a cada novo abalo. Sempre me perguntei de que maneira, a partir de olhos tão apertados, os japoneses conseguem enxergar o mundo sob sua lente de aumento da sabedoria. E sabedoria que se constrói, dia-a-dia sem fórmulas previamente prontas, há sempre algo a se inovar, inventar.
Chegam a me faltar palavras, explicações, ainda menos. Mas, ficam a admiração e o respeito por essa cultura e esse povo, tão peculiar.
Ondas de lágrima me habitam, tremem a cada novo abalo. Sempre me perguntei de que maneira, a partir de olhos tão apertados, os japoneses conseguem enxergar o mundo sob sua lente de aumento da sabedoria. E sabedoria que se constrói, dia-a-dia sem fórmulas previamente prontas, há sempre algo a se inovar, inventar.
Chegam a me faltar palavras, explicações, ainda menos. Mas, ficam a admiração e o respeito por essa cultura e esse povo, tão peculiar.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Ainda Quero
Ainda quero muitas manhãs com mares e marés,
beijando a areia e tocando meus pés.
Sentir a carícia da brisa fresca
do outono que se insinua.
Pertencer aos ares azuis ou acinzentados
Planando num vôo perfeito
sobre o colchão de nuvens
que se estende livre, simplesmente.
Chegar a muitas terras
pés nos chão, caminhadas e mais caminhadas.
Ouvir o som que vem da terra,
como um sopro suave e saboroso.
Com ou sem alguém
me pertencer, me presenciar, me viver.
De mãos dadas, poder me soltar.
No encontrar dos lábios...Ah, suspirar.
Ainda quero muitas manhãs com mares e marés,
beijando a areia e tocando meus pés.
Sentir a carícia da brisa fresca
do outono que se insinua.
Pertencer aos ares azuis ou acinzentados
Planando num vôo perfeito
sobre o colchão de nuvens
que se estende livre, simplesmente.
Chegar a muitas terras
pés nos chão, caminhadas e mais caminhadas.
Ouvir o som que vem da terra,
como um sopro suave e saboroso.
Com ou sem alguém
me pertencer, me presenciar, me viver.
De mãos dadas, poder me soltar.
No encontrar dos lábios...Ah, suspirar.
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